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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Nazarethe Fonseca - Entrevista






Esta entrevista foi extraído do blog da Nazareth que serve para trazer mais informações sobre esta escritora ainda obscura junto ao grande público, mas de uma qualidade no texto sem precedentes.






EXTRAÍDO DO BLOG DA ESCRITORA.

Depois do lançamento do livro tenho recebido diversos e-mails com perguntas sobre o livro, os personagens, como escrevi a historia. Enfim como tudo isso começou. Marinalda Machado, uma grande amiga, resolveu fazer delas uma entrevista e aqui esta o resultado de seu trabalho. Espero que gostem.http://almaesangue.blogspot.com/

“É dos meus sonhos que os personagens surgem. Jan Kmam surgiu em um sonho e nunca mais me deixou”.

A exatos 11 anos, às duas horas da manhã a última página de ALMA E SANGUE, O DESPERTAR DO VAMPIRO foi datilografado. Ali terminava o trabalho de oito meses de Nazarethe Fonseca, que somente almejava passar seu “sonho” a limpo, afinal o livro foi datilografado em folhas recicladas de papel de computador. O original tem aproximadamente seiscentas páginas, e quase foi devorado por formigas, fogo, e até mesmo mofo! Jamais sonhou enviar a historia para uma editora, porque o achava muito pessoal. Só queria encaderna-lo para facilitar a leitura! Os mistérios de ALMA E SANGUE são muitos e seu caminho até a prateleira das livrarias longo e árduo. O livro tem conseguido agradar um público variado, que o lê não esquece e encontra em suas 431 paginas um romance apaixonante, forte, irritante e por vezes hilário entre uma mortal e um vampiro de quatrocentos anos. Marinalda Machado.

No livro há uma foto, o ano em que nasceu, o local, e o modo “peculiar” como tratou seu primeiro livro. E então, como foi que começou a escrever?
Posso falar do “antes” e do “depois”, afinal nunca tive disposição para cadernos de poesia, um diário quando adolescente. (risos) Mas sempre li muito, ficava horas na biblioteca da escola lendo, passeando pelas estantes escolhendo livros. Cheguei a ganhar uma medalha por ser a aluna que mais livros pegou emprestado na biblioteca. Por muito pouco não me tornei CDF! Mas sem jamais escrever algo, gostava de transcrever frases, poemas nos cadernos, agendas escolares de grandes escritores, mas nada de minha autoria. Isso mudou aos 15 anos quando tive um sonho, lembro de acordar, ir para sala, pegar um caderno, lápis e escrever. O dia tava nascendo quando terminei.

Foi seu primeiro livro?
O que acabou virando cinzas? (risos) O próprio. Era uma historia policial, romântica, uma maravilha!

Mas porque resolveu queimar livro?
Após o sonho comecei a escrever compulsivamente, não respeitava os cadernos da escola. As idéias brotavam no meio da aula, enquanto estudava, minha cabeça virou uma confusão. O resultado foi nota baixa, e bronca, hoje lembro disso com alegria, mas na época foi um drama!Mamãe cobrou notas, por fim descobriu meu livro e leu sem minha permissão. Isso para um adolescente é a morte. E para mim também foi, lembro de ter chorado, por fim fui na casa de uma amiga e no quintal da casa queimei meu livro. Foi estranho porque após queimar o livro me senti melhor. E naquele ano fui reprovada.(risos). A lição é obvia, não estava pronta para meus textos.

E como voltou a escrever? Afinal só voltou a fazê-lo ao 21 anos, ficou traumatizada?
Não. Só não pensava mais no assunto, foi como se toda aquela enxurrada de idéias houvesse desaparecido. Trauma nenhum ficou, pois continuei lendo livros vorazmente. Só uma coisa me chamava atenção, sempre que colocava a data nos cabeçalhos dos cadernos, duas datas surgiam involuntariamente 1572 e 1872. Mas aos 21 anos tive outro sonho e nele as duas datas surgiram. Acordei supertranqüila, fui para a sala e vi o dia nascer, não escrevi nada, deixei tudo em minha mente. O sonho foi maravilhoso, queria guardar ele comigo, dividir com o papel não passava por minha cabeça. Um mês depois meu pai comprou uma máquina de escrever de segunda mão. Aprendi a datilografar passando um caderno de receitas culinárias da minha mãe a limpo. Quando terminei organizei o papel sobre a mesa e comecei a escrever ALMA E SANGUE.

Quanto tempo levou para o livro ficar pronto?
Oito meses.
Levou oito meses para escrever um sonho?
No sonho havia a idéia, os ingredientes, o resto surgiu ao longo dos meses que escrevia e aprendia como escrever. A narrativa no meu caso foi à escolha mais lógica porque na verdade contava o que havia visto, vivenciado no sonho. E confesso, não teria saído de outro modo. Hoje ao escrever percebo que meu texto evoluiu e muito.

Mesmo com a idéia central do livro surgindo de um sonho, você se sente influenciada por algum escritor?
Sim, muitos. Tudo que li e ouvi ficou e me influenciou de algo modo, me levou até Jan Kmam. Leio de tudo, pois ler para mim é um grande prazer. Com o tempo percebi que gostava muito de Edgar Allan Poe, de Byron, Shakespeare, Charles Baudelaire. Via seus rostos nos livros envoltos em mistério e os imaginava vivos. Passei um bom tempo lendo biografias das grandes personagens da historia. Adorava saber dos detalhes sobre suas vidas. O que faziam, quem amaram, como viveram e morreram. A curiosidade aumentava à medida que o livro não contava tudo eu procurava em um outro, e mais um e logo havia pesquisado muita coisa sem perceber.

O que passou por sua cabeça quando terminou ALMA E SANGUE?
Dormir! Estava muito cansada, a mente vazia. Era madrugada quando datilografei a última página. Na manhã seguinte dei para minha mãe lê, ela foi a primeira. E é minha maior incentivadora, hoje em dia, acho que é graça a ela que o livro foi publicado. Mas isso não foi logo demorou, pois na verdade o escrevi para tirar ele da minha cabeça. O que no começo pareceu prazeroso se tornou uma tortura, pois me perdia por horas lembrando das imagens, ouvindo os diálogos. E isso dá dor de cabeça. Os via em meus sonhos, acordava pronta para escrever, enchi vários blocos com descrições, com as brigas de Kara Ramos e Jan Kmam.

Como é sonhar com Jan Kmam?
Afinal quem leu o livro se surpreende, se apaixona por seu charme, beleza. Jan Kmam é um vampiro bem diferente da maioria.

Como você o vê?
De fato, Jan é extraordinário, não há como ficar indiferente a sua presença. Como Kara bem o descreveu, ele é perfeito.(risos)

Então o descreveu Jan Kmam exatamente como o viu?
Em cada olhar, gesto, sorriso, ordem e sussurro.

É verdade que Jan Kmam foi chamado de machista?Como ficam as constantes brigas entre ele e Kara Ramos?
Sim, algumas leitoras me escreveram e o chamaram de machista, mas que mesmo assim o achavam maravilho. O que posso dizer em sua defesa, é que, Jan Kmam é um homem de um outro século, que se transformou em vampiro, que viu transformações através dos séculos, mas conservou sua personalidade. Acredita que a mulher é um ser frágil, que deve ser protegido, e até certo ponto, submisso. Kara, no entanto é uma mulher de nossos dias independente, teimosa, atrevida, mora sozinha. O choque entre eles é inevitável.

Em que ano terminou de escrever o livro e como foi a publicação?
Terminei de escrever o livro em 96 e publiquei a primeira vez em 2001. Na época havia deixado Natal e morava em Fortaleza. Lá passei pela lei de incentivo a cultura, captei recursos, fui atrás de uma editora e o livro saiu. Não me orgulho da primeira edição, o livro não recebeu o tratamento que merecia. Cheguei a desejar nunca ter editado um livro! Mas como Jan Kmam costuma dizer: “Tudo tem um tempo certo, e o tempo é agora”. O livro foi tratado com carinho, revisado e relançado com sucesso pela editora, NOVO SÉCULO.

É verdade que ao ver a capa você chorou?
É verdade. Estava super tensa com o lançamento, queria o melhor para “meus meninos” (como ela chama os personagens). Quando olhei a prova da capa percebi todos os meus desejos estavam ali reatados. Ela foi concebida por Carlos Guimarães. Ele deve ter lido meus pensamentos.(risos)Para encerrar, Nazarethe Fonseca acredita em vampiros? Ainda resta alguma duvida?(risos)

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