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terça-feira, 22 de novembro de 2011

Brock Clarke - Guia de Um Incendiário de Casa de Escritores


A Editora Rocco publicou o Guia de Um Incendiário de Casa de Escritores de Brock Clarke que tem a seguinte sinopse, extraída de (http://comendolivros.blogspot.com/2011/06/guia-de-um-incendiario-de-casas-de.html):

Sonho de ontem à noite: comecei incendiando florestas, mas, pensando bem, acho que foi só o Parque da Cidade. E, de fato, incendiei o parque todo. Depois, fartei-me e decidi mudar de vida. Comecei a incendiar bibliotecas. E, como se veio a verificar nas páginas policiais dos jornais, incendiei um número verdadeiramente impressionante desses nobres e memoráveis lugares. Começando pela Biblioteca dos Barris. E de todas as coisas que tinha incendiado até então, desde gatos de rua, provas de concursos públicos, páginas da Bíblia, nenhuma se comparava ao gosto de ter tocado fogo numa biblioteca inteira.

Não que as bibliotecas ardendo no fogo do Inferno fossem mais espetaculares do que as florestas, porque não eram. Mas dos livros desprendia-se um perfume, digamos, mais vibrante, um brilho, digamos, mais intenso, um uuh-uuh, digamos, mais acrisolado. Os livros a arderem me faziam sentir vagamente triste. E era exatamente essa tristeza vaga que me enchia de felicidade. E foi essa felicidade que eu senti ao ler as páginas do livro “Guia de um Incendiário de Casas de Escritores”, de Brock Clarke.
Clarke é um autor incrível e praticamente, como sempre, desconhecido no Brasil. Nasceu em Massachusetts, mas cresceu em Nova York, e é Ph.D. em Literatura Americana. Autor de vários livros, ganhador do “Prairie Schooner Book Prize In Fiction”, tem vário trabalhos publicados em diversas revistas. Clarke também foi professor e, durante quase uma década, como eu, ensinou literatura, mas com o tempo, os nossos interesses pelos livros, ao contrário do sonho louco que tive ontem, aumentaram. Acrescente-se a isso, outrora tão comuns entre autores, um breve e doce vestígio. E, de novo, Elenilson mudou de inclinações incendiárias.

Contudo, o livro de Clarke conta o drama de Sam Pulsifer que, aos 18 anos, foi condenado a dez anos de prisão por ter colocado fogo na casa da escritora Emily Dickinson, autora com uma intensa produção literária em apenas dez anos, de 1860 até 1870, quando compôs centenas de poemas. Uma curiosidade na obra de Dickinson é que apesar de ter escrito em torno de 1800 poemas e quase 1000 cartas, ela não chegou a publicar nenhum livro de versos, enquanto viveu. Os registros que se tem, é que apenas anonimamente, publicou alguns poemas. Toda a sua obra foi editada postumamente, sendo reconhecida e aclamada pelos críticos.

A insanidade de Pulsifer de ter tocado fogo na casa da escritora, acidentalmente, acaba matando duas pessoas. Depois de sair da cadeia, consegue reconstruir sua vida: vai para a universidade, constitui uma família e consegue um emprego. Dessa forma, a todo custo, ele tenta retomar a sua antiga rotina, mas, quando isso não é possível, volta a estudar, arruma o emprego confortável, se casa com a garota de seus sonhos, tem dois filhos lindos e se muda para Camelot, um condomínio planejado perto de sua Amherst natal. Essa vida aparentemente perfeita dura até o momento em que Thomas, o filho das vítimas do incêndio, aparece ameaçando destruir a felicidade de Pulsifer, que jamais contou à mulher, Anne Marie, a verdade sobre seu passado.

Além de tudo isso, Pulsifer é um mentiroso compulsivo, incapaz de dizer a verdade, acaba perdendo tudo. Ele acaba voltando a morar com os pais, um ex-editor da universidade local e uma professora de literatura. E além de ambos esconderem um terrível segredo sobre o passado, eles também mentem para Pulsifer sobre suas vidas atuais, uma decisão que agrava ainda mais o maior problema que o protagonista enfrenta.

A fragmentada e defasada relação entre os três, que não se viam desde que o filho fora solto, fica ainda mais complicada quando Pulsifer vai, aos poucos, descobrindo que o casamento deles estava longe de ser a grande união que ele imaginava. E quando essas residências históricas começam a ser alvo de incêndios criminosos, Pulsifer é, naturalmente, o principal suspeito. Disposto a descobrir quem é o culpado e a provar sua inocência, ele decide investigar por conta própria cada caso, encontrando os autores de cartas misteriosas.

Em meio a esses caminhos tortuosos, que leva o leitor a conhecer um pouco da tradição e dos tipos da Nova Inglaterra, com suas peculiaridades de comportamento em uma América menos ianque e mais multicultural, Pulsifer também explora um dos relacionamentos mais importantes em sua vida: a ligação com o mundo da leitura e dos livros, e com cada história que fez parte de sua existência, incluindo aquelas que inventou para si mesmo. Enquanto narra suas ações no livro que está escrevendo, a busca pelo verdadeiro incendiário acaba se tornando uma jornada de autoconhecimento para Pulsifer. Em suma, um livro sensacional. (“GUIA DE UM INCENDIÁRIO DE CASAS DE ESCRITORES” de Brock Clarke, romance, 320 págs, Rocco – 2011

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