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domingo, 6 de novembro de 2011

Nelson Motta - A Primavera do Dragão


A Editora Objetiva pubicou A Primavera do Dragão de Nelson Motta que tem a seguinte sinopse:

Em nova biografia, escritor conta o melhor da história de Glauber Rocha, estrela da geração que projetou o cinema brasileiro para o mundo

O novo livro de Nelson Motta transcorre sob o sol da Bahia, pelas ruas e becos de Salvador e entre incursões pelo misticismo do sertão nordestino e o glamour de Paris e Cannes. Em A Primavera do Dragão - A Juventude de Glauber Rocha (Objetiva), o escritor constrói um relato ágil sobre a juventude inquietante do cineasta baiano e a criação do Cinema Novo, que revolucionou a estética cinematográfica brasileira. Com a mesma pegada pop e o talento para resgatar histórias bem-humoradas de seus livros anteriores, o autor de Noites Tropicais e Vale Tudo traça o panorama de uma geração que inscreveu o Brasil no mapa do cinema internacional e arrancou elogios de Truffaut a Sartre.

No livro, Nelson evoca o nascimento do cineasta em Conquista, no interior baiano. Refaz as andanças do artista pela efervescente capital baiana, geralmente acompanhadas pelo amigo João Ubaldo Ribeiro. Recorda as experiências ainda embrionárias de Glauber no cinema, com os curtas-metragens Pátio e Cruz na Praça e o primeiro longa Barravento, produzidos sob o impacto de Rio 40 Graus, de Nelson Pereira dos Santos, e do neorrealismo italiano, de Rossellini. Descritos com cortes cinematográficos, seu foco são os anos que antecederam ao estouro de Deus e o Diabo na Terra do Sol, obra-prima do Cinema Novo, até a disputa do filme em Cannes com Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos.

"Quis abordar o melhor de Glauber e os anos de ouro do cinema brasileiro", afirma Nelson, que relata ter sentido uma emoção semelhante à primeira audição de Chega de Saudade, com João Gilberto, ao ver Deus o e Diabo na Terra do Sol. "Filmado quase integralmente em Monte Santo, no sertão baiano, Deus e o Diabo é uma história dramática, com planos sequenciais extraordinários, além de ser o marco cinematográfico de uma geração. Os relatos por trás da realização do longa-metragem revelam os bastidores quase inverossímeis de um dos principais filmes de todos os tempos", aponta o autor.

Nelson justifica o recorte da narrativa restrita à juventude de Glauber com a decisão de ressaltar a genialidade e o potencial criativo de um dos maiores cineastas brasileiro. "Não tenho vocação para histórias tristes, como o final da vida de Glauber. Gosto de contar a trajetória de artistas originais e sua parcela de loucura, anseio de liberdade e ambição artística. Por isso, a escolha de escrever a biografia do artista quando jovem, em seu ápice".

Nelson Motta traça panorama dos anos de ouro do cinema nacional

O período em que a história se passa, entre 1939 e 1964, culmina com o êxito de Deus e o Diabo, no Brasil e no exterior, e coincide com a época de ouro do cinema nacional. A nova biografia acende os refletores para o período em que o cinema nacional conquistou admiradores de peso mundo afora. É entre a segunda metade dos anos 50 e início dos 60 que Rossellini visita Salvador e é ciceroneado por Glauber, o casal Sartre e Simone de Beauvoir se hospeda na casa de Jorge Amado e Zélia Gatai, no Rio Vermelho. É também quando François Truffaut, de passagem pelo Rio de Janeiro, conhece de perto o trabalho desenvolvido por Glauber e seus colegas brasileiros e se entusiasma com o que presencia.

Em 1962, o Brasil leva pela primeira vez a Palma de Ouro, com a vitória de O Pagador de Promessas, de Anselmo Duarte, desbancando Antonioni e Buñuel. No mesmo ano, Ruy Guerra exibe em Os Cafajestes o primeiro nu frontal no Brasil, numa cena de quatro minutos com Norma Bengel. E os filmes Assalto ao Trem Pagador e O Boca de Ouro alcançam bom público e críticas favoráveis na imprensa.

O tempero vem com a prosa do autor, que tira do baú episódios acessíveis somente a quem acompanha de perto a vida artística brasileira e dispõe de fontes certeiras. Ao relatar as aspirações de uma geração confiante no futuro, Nelson volta a exercitar o faro por histórias envolventes. São passagens, como a chegada de Cacá Diegues a Paris, recebido pelo amigo Glauber nu em pelo, ou ainda a trapalhada em Cannes, quando Cacá, cujo nome em francês significa literalmente cocô, é chamado aos berros pelo cineasta baiano, diante de um exército de jornalistas franceses. Não menos curioso, é o momento em que Glauber e Vinícius de Moraes dividem a mesa do bistrô La Coupole, em Paris, e recebem a notícia do golpe militar no Brasil, no sugestivo capítulo Primavera em Paris, outono no Rio.

Amizade iniciada em 1964 durou até a morte de Glauber em 1981

A pré-estreia para imprensa e convidados de Deus e o Diabo na Terra do Sol no antigo cinema Ópera, na Praia de Botafogo, no Rio de Janeiro, em 1964, marcou também o contato do jornalista Nelson Motta com a obra de Glauber Rocha. Pouco depois, foram devidamente apresentados e a amizade logo se estreitou. Os dois se mantiveram próximos até a morte precoce do cineasta baiano, em agosto de 1981.

Um ano antes de morrer, coube a Glauber assinar o posfácio do primeiro livro de Nelson Motta, Memória Musical (Sulina), em que não poupou elogios eloquentes ao jovem jornalista: "Nelson é um corpo florido, alma bendita, erva pacificadora nas guerras negativistas. Prevejo-lhe futuro glorioso. Tem a bandeira desfraldada na tempestade".

Mais de 30 anos depois, Nelson retribui a homenagem ao dedicar seu novo livro ao retrato de uma geração, a partir da biografia de seu personagem-símbolo em sua fase mais pulsante: "Minha meta foi escrever uma história que ressaltasse a importância do Glauber e pudesse criar curiosidade mesmo entre aqueles que não têm especial interesse pelo personagem".

Mística como o biografado é a história do projeto do livro iniciado em 89 e interrompido em seguida, com a notícia de que o jornalista Zuenir Ventura, a quem Nelson carinhosamente apelidou de mestre Zu, se dedicava à mesma biografia. Muitos anos depois, foi o próprio Zuenir, que havia perdido toda pesquisa sobre Glauber num roubo misterioso, quem deu o sinal verde para Nelson seguisse a empreitada, dando uma interpretação glauberiana aos fatos: "Era um daqueles sinais em que ele tanto acreditava. Era ele me dizendo para abandonar o projeto". E assim aconteceu.

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